terça-feira, 5 de abril de 2016

MUTISMO SELETIVO: O QUE É E COMO TRATAR


Mutismo Seletivo 
Por: Débora Carvalho Meldau


mutismo seletivo, também denominado mutismo eletivo, consiste em um distúrbio psicológico caracterizado pela recusa em falar em certas situações, mas que, em outras, o indivíduo é capaz de falar. Costuma ocorrer em crianças tímidas, introvertidas e ansiosas que falam apenas com um ou ambos os pais, outras crianças ou animais.

Este transtorno ocorre em ambos os gêneros, mas é mais comum nos indivíduos do sexo feminino. Em adultos, este distúrbio é diagnosticado como fobia social.
Trata-se de uma das desordens psicológicas mais frequentes nas crianças. Indivíduos com este distúrbio conseguem falar e compreender a linguagem, mas o fazem somente em situações escolhidas por eles. Em outras áreas de aprendizagem e comportamento, a criança costuma se desenvolver normalmente.

Até pouco tempo, acreditava-se que este distúrbio afetava 1 em cada 1000 crianças. Todavia, mais recentemente pesquisas realizadas pela American Academy of Child and Adolescent Phychiatry apontaram que a proporção é de sete para cada 1000, tornando o mutismo duas vezes mais prevalente do que o autismo. Já no Brasil, os estudos a respeito do mutismo seletivo são escassos, bem como profissionais especializados no diagnóstico precoce e tratamento do mesmo.
Habitualmente, este transtorno está relacionado com a existência de um elevado nível de ansiedade, que pode ter origem genética e associação com a atividade mais intensa da amígdala cerebelar. A ausência da fala também pode apontar a presença de transtorno de comunicação, envolvendo tartamudez, dificuldade auditiva, transtorno de aprendizagem, transtorno de adaptação ou de separação, depressão nervosa, autismo ou transtorno de ansiedade. Também pode estar ligado a um trauma psicológico.
Além da recusa em falar em certas situações sociais, as crianças com mutismo seletivo apresentam:
o    Dificuldade em manter contato visual;
o    Não costumam sorrir em público ou permanecem com expressões vazias;
o    Movimentam-se de forma rígida;
o    Não são capazes de lidar com situações nas quais deveriam falar normalmente, como saudações, despedida ou agradecimentos;
o    Tendem a ter uma preocupação mais exagerada com as coisas quando em comparação com o população em geral;
o    Costumam ser mais sensíveis ao ruído e a locais lotados;
o    Apresentam dificuldade em falar sobre si ou expressar sentimentos.
Contudo, também apresentam alguns pontos positivos, como a maior sensibilidade aos pensamentos e emoções alheias e inteligência e percepção superior aos demais.
Para ser diagnosticado como mutismo seletivo, o quadro tem que persistir por pelo menos um mês, sem contar o primeiro mês de escolarização, uma vez que nessa época as crianças costumam ficar mais tímidas e evitam interagir com o professor.
Os pais costumam após meses ou anos de mudez, pois acreditam que se trate apenas de timidez normal até que as manifestações clínicas se tornam mais visíveis.
O tratamento com terapia cognitivo-comportamental apresentam bons resultados. Também podem ser utilizados fármacos para transtorno de ansiedade e depressão para aliviar os sintomas.
Fontes:

A CRIANÇA QUE NÃO FALA: MUTISMO SELETIVO
A CRIANÇA QUE NÃO FALA – MUTISMO SELETIVO
O mutismo seletivo pode ser compreendido como um medo inadequado de falar fluente e espontaneamente, que surge particularmente em contextos fora de casa e que pode se prolongar até à fase da adolescência. Para os especialistas da saúde mental o mutismo seletivosurge como uma perturbação de ansiedade na infância.
Normalmente acontece nas crianças mais pequenas, por volta dos 3 anos de idade, embora as queixas se acentuem mais no final do pré-escolar e inicio do 1º ciclo. As meninas  são mais propensas a apresentarem este problema comparativamente com os meninos, estimando-se uma prevalência inferior a 1% em idade escolar. É nesta idade mais precoce que as crianças são mais renitentes em estabelecer contacto e a relacionarem-se com pessoas estranhas. Na realidade estas crianças não apresentam nenhuma perturbação da linguagem, nenhum atraso cognitivo ou alterações profundas de desenvolvimento, a não ser este medo/ansiedade que gera nelas o silêncio perante estranhos ou junto de pessoas com as quais não se sentem à vontade.
Este problema psicológico interfere na realização escolar e/ou ocupacional e/ou na comunicação social, estando presente no mínimo há 1 mês e não coincidindo com o primeiro mês de escolarização, pois a entrada para o jardim-de-infância ou 1º ciclo surge como uma das primeiras mudanças contextuais significativas na vida das crianças, onde estas são obrigadas a contactar com estranhos. É nesta altura que o mutismo seletivo se pode desencadear ou exacerbar, pois quando as crianças não participarem nas atividades e existe uma ausência de interação grupal, torna-se notória e prejudicial esta sua dificuldade de adaptabilidade ao contexto escolar, colocando pais, educadores e professores em alerta.                O desejado é que após a fase de integração, em que todas as crianças se sentem inseguras e desconfiadas, ganhem confiança nelas próprias e comecem a estabelecer vínculos afetivos com as pessoas que as rodeiam (p.e outras crianças, educadora/professora), permitindo assim que as suas reservas prévias desapareçam. Mas, quando este silêncio se prolongano tempo e se generaliza à maior parte das pessoas, com exceção, da família, deixa de ser um comportamento adaptativo, colocando em questão a integridade física e mental da criança, pelo fato de esta se deixar vencer por este seu medo. Este comportamento desadaptativo, na maior parte das vezes, conduz a dificuldades nas relações sociais, o que por sua vez, gera uma baixa auto-estima nas criançasdificuldades a nível do rendimento escolar, uma vez que grande parte dos professores e educadores se queixam de não conseguirem avaliar corretamente estas crianças, pois mesmo conhecendo as suas capacidades cognitivas, a informação que dispõem não é suficiente, comparativamente com as restantes crianças da sua sala; e inclusive, ao nível da sua saúde física, isto porque, em grande parte das vezes, muitas destas crianças não conseguem expressar ao adulto as suas necessidades mais básicas(p.e ir à casa de banho, ter fome, o ter caído e se magoado). É um problema transitório, mas se a criança não receber um tratamento a tempo e eficaz, no futuro este problema pode levar a uma diminuição do desejo e vontade de estar na escola, podendo conduzir ao abandono e insucesso escolar, a consumos de medicação ou drogas, ideias suicidas, depressão, fobia social, entre outros.
Estas crianças caracterizam-se por serem crianças tímidas, retraídas, socialmente inseguras, por norma dependentes, com excessiva rigidez e perfeccionistas. Quando comunicam, na maioria das ocasiões fazem-no através de gestos (p.e acenando a cabeça) e quando usam a fala, fazem por vezes com que o volume da sua voz seja muito baixo, limitando-se outras a apenas sussurrar ao ouvido. Evitam o olhar (p.e olham para o chão), escondem-se através dos objetos ou das figuras parentais, sendo as suas intervenções muito breves e curtas, tentando sempre evitar/escapar a todas as situações sociais em que se sintam expostas (p.e demorarem muito tempo na casa de banho ou a vestirem-se de modo a evitarem ir a algum lugar) como forma de alívio ao mal-estar produzido pelas suas respostas de ansiedade perante tal situação.
Ao falar-se deste problema que afeta algumas das nossas crianças e que preocupa os pais e educadores/professores, pelas consequências a longo prazo que daqui podem advir, é necessário distinguir as crianças que têm uma grande aversão em falar, pois para estas é muito difícil falar em determinadas situações, das crianças que acham que não podem falar em certas situações (chamado mutismo seletivo), das crianças que acham que não podem falar em qualquer situação (mutismo progressivo ou total). No entanto estas últimas são crianças que deixam mesmo de estabelecer comunicações orais, por mais curtas que sejam, mesmo com as pessoas mais íntimas, levando assim à deterioração das suas relações interpessoais e consequentemente, ao isolamento social. Em todas estas formas, o medo e a ansiedade encontram-se presentes, conduzindo a um comportamento desadaptativo.
A aprendizagem deste medo desproporcionado de falar nas crianças, tem em muito a ver com o comportamento dos adultos que as rodeiam. As altas expectativas em relação às crianças, a punição, a correção de todas as suas falhas e, até mesmo, a existência de algum familiar com um problema idêntico, são algumas das razões que podem contribuir para o desenvolver deste problema psicológico.
De um modo geral, este medo de falar gera nas crianças, alterações corporais, tais como, o aumento da sudação, da tensão muscular, do ritmo respiratório e da pulsação cardíaca. Depois, quando a criança consegue evitar ou fugir, podem surgir as dores de cabeça, de barriga e o ir várias vezes à casa de banho. Por outro lado, alterações comportamentais, como roer as unhas, levar os dedos ou parte do seu vestuário à boca, balançar as pernas ou o corpo, tiques, entre outras, são alterações que também dai podem advir. Este medo é igualmente causador de um grande sofrimento emocional e pessoal e por isso, estas crianças necessitam de ajuda especializada para que este silêncio como resposta não faça parte do seu reportório vivencial.
Muitas das vezes, com o passar dos dias, dos meses e até mesmo dos anos, este problema começa a agudizar-se, não sabendo as escolas e os pais como o solucionar. Nessa altura surge a necessidade de uma intervenção especializada que permita a modificação das respostas fisiológicas e cognitivas desencadeadas, sendo que a criança é uma das primeiras a querer ver este problema resolvido, pois estão motivadas para fazerem amigos e terem sucesso nas aprendizagens. No entanto não se trata de um comportamento voluntário ou de uma birra, como muitos poderão pensar. São sobretudo crianças que se deixam vencer por este medo, que as obriga a tornarem-se”seres silenciosos”, num mundo cheio de ruídos do qual também elas fazem parte.
O procurar de ajuda psicológica, surge como uma nova situação que irá desencadear na criança medo de falar, mas a utilização de várias técnicas cognitivo-comportamentais permitirão em articulação com a família e a escola, o seu superar. Em alguns dos casos uma abordagem farmacológica pode ajudar a diminuir os seus níveis de ansiedade.
Sugestões aos pais   :
Estimular a comunicação do seu filho desde muito pequeno, de preferência quando a criança começar a falar, para este aprender a expressar-se em diferentes situações sociais, sabendo onde, como e com quem o deve fazer;
Ensinar pequenas tarefas de responsabilidade (p.e vestir-se, lavar os dentes, por a mesa, arrumar o quarto, entre outras);
Evitar o uso de expressões depreciativas (“não tens vergonha; és sempre o mesmo; nunca falas”);
Evitar, na presença da criança ou em locais que esta possa escutar, falar do seu problema com outras pessoas;
Não obrigar a criança a falar quando esta se recusa;
Não se zangar ou castigar por esta se negar a falar;
Não criar metas dificilmente atingíveis pela criança;
Não a obrigar a cumprimentar uma pessoa ou a aproximar-se desta ou de um local que ela própria não deseja;
Evitar situações em que a criança apenas comunique falando ao ouvido, dizendo”não te oiço”,”não percebo o que me dizes” de modo a estimular a sua comunicação oral;
Atribuir-lhe tarefas em diferentes situações sociais (p.e ir pedir um gelado ao Sr. do café);
Manter sempre a calma quando o seu filho tem demonstrações desadequadas de falar;
Convidar amigos ou familiares para frequentarem com maior regularidade a sua casa;
Programar saídas, onde estejam envolvidas outras pessoas que sejam estranhas para a criança;
Permitir a inserção em outras atividades grupais extra-curriculares;
Ser paciente e quando o seu filho falar, não termine as suas frases, de modo a evitar uma excessiva dependência;
Transmitir sempre tranquilidade e segurança, mas não a superproteger;
Ter uma boa articulação com a escola;
Aos Educadores/Professores sugere-se:
Deixar a criança comunicar por gestos e expressar os seus sentimentos e pensamentos através de uma folha de papel ou de cartões apenas num primeiro momento, o de estabelecer a relação, pois a partir de então começar a estimular as pequenas verbalizações (p.e sim/não) e assim sucessivamente, certificando-se sempre que a criança se sente confortável para passar ao passo seguinte;
Permitir o jogo lúdico, contar histórias e criá-las através de fantoches, falar com ela sobre coisas que ela goste, até conseguir gerar um clima agradável e descontraído;
Dar espaço para a criança decidir se quer ou não falar, utilizando expressões encorajadoras (“tens tempo, podes falar hoje ou amanha, quando tu quiseres”);
Não a ignorar e dar-lhe a mesma atenção que dá às outras crianças;
Incentivar atividades não verbais; proporcionar oportunidades para falar mas não a forçar (p.e quebra-cabeças, puzzles, jogos de tabuleiro);
Encorajar sempre a criança a intervir, não passando a sua vez, dando-lhe sempre a oportunidade de apresentar uma resposta/resultado final;
Não deixar que outra criança desempenhe as tarefas ou responda a questões na vez da criança com dificuldade em falar;
Incentivar a interação social, permitindo a integração destas crianças no grande grupo (turma), iniciando estas interações em pequenos grupos, de preferência com algum dos amigos com quem a criança mais se relacione, alargando progressivamente o nº dos elementos do grupo, até se chegar ao grande grupo, de forma a evitar o seu isolamento social;
Evitar que sejam criados rótulos depreciativos, evitando e corrigindo certas verbalizações por parte das outras crianças (“Essa é a que não fala”;”Ela só se dá com o João, mais ninguém”;”Nós já não a convidamos para brincar, ela não fala”);
Demonstrar a sua compreensão sempre que se aperceba que uma criança está a sofrer porque não consegue resolver a tarefa proposta, utilizando expressões encorajadoras (“Não te preocupes, aos pouco e poucos, tu irás conseguir”);
Contar histórias a toda a turma onde a temática seja o medo de falar e onde a personagem principal o conseguiu superar, de modo que todas as crianças compreendam este problema e percebam o que podem fazer para ajudar;
Reforçar positivamente e de forma individualizada, todas as intervenções faladas ou não, sendo esse reforço significativo para a criança (p.e elogios escritos, verbais);
Atribuir responsabilidades à criança (p.e marcar as presenças, distribuir fichas de trabalho, recolher os trabalhos elaborados);
Ser empático e paciente.

Fonte: educartenasdiferencas.blogspot.com.br

MUTISMO SELETIVO: ENTENDA O QUE É E COMO TRATAR
O mutismo seletivo é um transtorno pouco conhecido e divulgado. Por esta razão, a meu pedido, minha grande amiga e especialista no assunto, redigiu o artigo a seguir.
Luciana Campos
O mutismo seletivo é um transtorno que acomete crianças de todas as idades,  caracteriza-se por uma incapacidade da criança em falar em alguns locais (escola, festas, rua), em algumas situações e com algumas pessoas, inclusive da própria família. Essas crianças compreendem a linguagem e são capazes de falar com toda normalidade em lugares onde se sentem seguros e confortáveis, como exemplo, em casa e com pessoas de seu círculo mais íntimo, tais como, pais e irmãos.  O fato de não falar em determinadas situações não significa que estão querendo chamar atenção ou controlar o ambiente, mas sim em demonstrar o grau de ansiedade e vergonha que sofrem, e essas emoções as inibe de falar e expressar seu comportamento não-verbal. Normalmente, elas apresentam dificuldade em olhar nos olhos, dificuldade em sorrir, de se expressar em público, de ir ao banheiro, em comer na escola. A percepção dessas crianças é que estão sendo observadas constantemente, por isso, seus movimentos ficam paralisados como estátua cada vez que elas se sentem avaliadas. Embora seja considerado um transtorno raro, sendo encontrada em menos de 1% dos indivíduos vistos em contextos de saúde mental, observamos no contexto clínico, uma incidência cada vez maior no Brasil.
As causas da doença podem ser encontradas em três pilares: (1) herança genética, a maioria das crianças que sofrem do mutismo apresentam uma predisposição genética a experimentar sintomas de ansiedade que é exacerbada por condições estressantes ou hostis; (2) traços de temperamento, como: vergonha, timidez, preocupações excessivas, evitação social,  medo, apego e negativismo e (3) interações familiares, existe um consenso de que o mutismo é mantido na presença de características  familiares, tais como: relação simbiótica, dependente e controladora entre mãe e filho, mães deprimidas e passivas.
As crianças que são acometidas pelo mutismo possuem uma inteligência preservada, normalmente, acima da média para a idade. Geralmente, o transtorno surge antes da idade de cinco anos (fase pré-escolar) e o grau de persistência varia de poucos à muitos anos e quando não tratados podem desenvolver na adolescência uma fobia social grave. As pesquisas indicam que a doença pode desaparecer espontaneamente, mas em geral, quando não tratada se torna crônica e altamente resistente a qualquer tipo de tratamento.  Por falar em tratamento, a terapia mais indicada para o tratamento do mutismo é a cognitivo-comportamental, pois combina técnicas que vão auxiliar a criança a manifestar a fala e desenvolver habilidades sociais importantes nessa fase da vida. O tratamento precisa envolver a família da criança, a escola que ele estuda e o próprio paciente.
Abaixo, estão algumas estratégias para os PAIS que possuem um filho com o transtorno:
Ø  A criança não deve ser forçada a falar;
o    Os pais devem elaborar inicialmente formas alternativas de comunicação através de símbolos, gestos ou cartões;
Ø  Não devem permitir que outras pessoas respondam pelo filho(a);
Ø  Solicitar gradualmente a exposição oral da criança;
Ø  Reforçar a criança todas as vezes que houver um aumento no comportamento verbal da criança. O tipo de reforço precisa ser de preferência da criança (elogios, abraços, doces preferidos…);
Ø  Encorajá-las sempre que possível, fazer pequenas solicitações ou cumprimentos a pessoas estranhas. Ex. ir comprar pão, comprar jornal…;
Ø  Evitar que seu filho seja o centro das atenções;
Ø  Identificar a compatibilidade com algum amigo para jogar e brincar com a criança algumas vezes dentro e fora de casa;
Ø  Utilizar a dessensibilização sistemática. Por exemplo, usar um reforço quando a criança sussurrar uma palavra e gradualmente aumentar a exposição até a criança dizer uma palavra em volume normal para algum estranho;
Ø  Planejar passeios em família fora de casa.
Algumas estratégias devem ser usadas pelo PROFESSOR para auxiliar o tratamento, incluem:
Ø  Permitir que a criança se comunique não-verbalmente no início, para depois utilizar a comunicação oral;
Ø  Não permitir que outros amigos respondam pelo aluno;
Ø  Solicitar gradualmente a exposição oral da criança;
Ø  Se possível colocar as mesas em forma de grupos;
Ø  Reforçar positivamente interações sociais faladas ou não;
o    O tipo de reforço precisa ser  significativo para a criança (elogios escritos, verbal…)
Ø  Reforçar qualquer tentativa de enfrentamento de situações interpessoais e ir ampliando progressivamente as exigências;
Ø  Encorajá-las sempre que possível, fazer pequenas solicitações ou cumprimentos a pessoas estranhas. Ex. pegar ou entregar material fora de sala.
Ø  Os professores devem sempre que possível tentar iniciar conversas fora da presença de outros alunos, devem tentar também, não colocar a criança como sendo o centro das atenções, pois isso aumenta a ansiedade da criança;
Ø  Não estabelecer comparações com outros companheiros;
Ø  Não permitir que os demais colegas o insultem, intimidem ou riem dele(a);
Ø  Estimular e envolver os colegas para que o ajudem e para que participem nas sessões de intervenção.
o    O aluno não deve ter métodos de avaliação diferente da turma.
Fonte:http://www.lucianacampos.psc.br/inicio/index.php?option=com_content&view=article&id=62

POSTADO POR ADIRENE MORAIS  em 05/04/2016
Moderadora do Grupo Professores Solidários
Graduada em Letras
Pós Graduada em Psicopedagogia, Literatura e Linguística
Revisora de Língua Portuguesa



segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Jornal de Parede



No ano de 2014 eu tive uma turma daquelas mais “especiais” possíveis, todos os dias eu precisava apagar algum incêndio, ou parar a aula para uma boa roda de conversa. Conversando com a minha formadora Rosaura Soligo, e com algumas amigas professoras que faziam curso com ela, recebi a sugestão da professora Vanessa Simas para realizar o jornal de parede, um instrumento que eu não conhecia.

Nesse ano propriamente não apliquei essa proposta, mas,  em 2015, com alunos de 5º ano, pude aplicar e obtive resultados muito satisfatórios com a turma. Foi  de fato um momento de muito aprendizado tanto para os alunos, como para mim. Aprendemos como gerenciar os conflitos que ocorrem na sala de aula de uma forma muito mais participativa, e pude ver semana após semana os alunos aprendendo a discutir juntos sobre atitudes que deveriam  ser tomadas, regras que deveriam ser feitas, e decisões coletivas.  A turma aprendeu a se manifestar,  exprimir suas opiniões, e exercitar a democracia (de esperar um momento específico para se falar sobre aquilo) e a resolver em conjunto os problemas.

O JORNAL DE PAREDE

O que é?

Ele é um  instrumento da Pedagogia Freinet, muito rico, que serve para comunicar ao grupo quatro tipos de assuntos. Pode ser feito como um panô em tecido, papel ou como preferir, contendo quatro bolsos onde caibam os papéis para os seguintes temas:

1.CRÍTICAS … escreva neste bolso: EU CRITICO
2.PROPOSTAS… escreva neste bolso: EU PROPONHO
3.CURIOSIDADES… escreva neste bolso: EU QUERO SABER
4.FELICITAÇÕES… escreva neste bolso: EU FELICITO


Ao lado ficam papeizinhos ao alcance da criança, onde ela tem liberdade para escrever conforme sua necessidade, colocando sua mensagem no envelope correspondente.

O Jornal de Parede é aberto uma vez por semana em roda. Nestes momentos lê-se os papeizinhos de cada envelope e, o que é mais importante e pertinente, registra-se no Livro da Vida.

Várias propostas vão surgindo,  que são analisadas pela professora e pelo grupo, surgem também criticas de todas as espécies,  que normalmente são desenhadas ou escritas pela criança (dependendo do seu aprendizado), quando alguém desrespeitou uma regra de vida ou um combinado. A criança deve sempre deixar claro para a outra pessoa envolvida que o que aconteceu não a agradou e sempre que ocorrer algo previamente combinada nas regras da turma, caberá a crítica, como por exemplo, tirar o brinquedo da mão do colega é desrespeito e não é uma boa atitude. Eu Proponho é usado para sugerir atividades, brincadeiras, alteração de rotina, etc. Eu quero saber, costuma ser utilizado quando estamos fazendo levantamento de saberes para projetos novos, ou em decorrência de uma conversa na roda, por exemplo. Surgem também os questionamentos em geral, alguns são respondidos no mesmo momento, outros, principalmente os que podem ser aproveitados para estudos, viram projetos de trabalho que serão pesquisados e depois de concluídos serão apresentados para o grupo. Eu felicito, sempre que quero agradecer ou demonstrar felicidade a uma pessoa ou ao grupo por uma ação recebida.

Os papéis para serem utilizados no Jornal de Parede podem ser do tamanho de 1/4 da folha A4. Depois de resolvido, exposto, discutido é colado no Livro da Vida, podendo servir como feedback para outros acontecimentos semelhantes, revendo assim as regras de vida, as curiosidades, as sugestões de trabalho e as felicitações.

Quais os objetivos?

A livre-expressão; o exercício da cidadania – são crianças cidadãs de direitos e deveres; agregar assuntos ao cotidiano ou aos projetos em andamento; minimizar o efeito da ira no momento do mal entendido (já que bater não é uma boa atitude, a criança se expressa através do desenho ou da escrita); o letramento, a comunicação;

Ele é o instrumento mais importante, que lida mais especificamente com as questões interrelacionais e os conflitos entre as pessoas da escola.

Susana Felix 

domingo, 10 de janeiro de 2016

A Memória no Aprendizado de Inglês

Você já se perguntou como funciona a memória no aprendizado de inglês? Neste texto vou falar um pouquinho sobre isso. Espero que você tenha paciência para ler até o fim. O objetivo é ajudar você a entender – mesmo que superficialmente – o que acontece dentro de sua cabeça quando você aprende inglês.
Para simplificar, o texto está assim dividido:
1.    Falando sobre memória: os dois principais sistemas que temos
2.    A Memória no Aprendizado da Língua Materna
3.    A Memória no Aprendizado do Inglês
É importante que você leia cada parte para entender como funciona a memória no aprendizado de inglês. Vamos lá!
Falando sobre Memória
De modo geral, a memória é dividida em dois principais sistemas: memória declarativa e memória procedimental. Esses dois sistemas armazenam informações diferentes. Então, vamos aprender um pouquinho sobe elas.
» Memória Declarativa
A memória declarativa é, de modo bem simples, a memória dos fatos da vida. É ela quem registra informações como o primeiro beijo que demos na vida, o que tomamos hoje no café da manhã, o que conversamos com aquele grupo animado do WhatsApp, nossos agradáveis (ou mesmo desagradáveis) da vida. Caso essa memória seja apagada de nossa cabeça, deixaremos de ser quem somos. Amnésia total!
» Memória Procedimental
Por sua vez, a memória procedimental está relacionada aos procedimentos da vida. Ou seja, ela armazena às coisas que fazemos sem nos perguntarmos como fazemos. Se você sabe andar de bicicleta, dirigir, tocar um instrumento e coisas do tipo agradeça a sua memória procedimental. Esses procediments envolvem passos que devem ser seguidos e é na memória procedimental que isso tudo fica guardado. É o nosso piloto automático. Se deixarmos de fazer algum desses procedimentos por muito tempo, podemos esquecê-los. Ou como dizemos, perdemos a prática.
A Memória no Aprendizado da Língua Materna
De acordo com pesquisadores na área*, o aprendizado de nossa língua materna (no nosso caso o português) está diretamente ligado a esses dois sistemas.
Quando aprendemos uma palavra ou uma expressão nova, ela é diretamente registrada em nossa memória declarativa. As palavras e expressões (o que podemos chamar tecnicamente itens lexicais) são registradas em nossa memória declarativa conforme nos envolvemos mais e mais com a língua. É assim que aprendemos nossa própria língua.
Quando aprendemos uma gíria, palavra ou expressão nova ou sem querer aprendemos uma canção cuja letra é contagiosa, significa que a memória declarativa registrou a informação. Para que isso acontecesse, essa expressão ou parte da canção deve antes aparecer várias vezes em nossa frente para que possamos memorizá-la (mesmo sem querer!). Recentemente, a gíria “É nóis!” passou a fazer parte do vocabulário de boa parte dos brasileiros. Até quem acha isso errado e ridículo, acaba – mesmo que seja em tom irônico – usando essa gíria uma hora ou outra.
Quando a memória declarativa não sabe algo, ela meio que trava. Afinal, ela não identifica aquilo. Não encontra-se registrado lá dentro. Por exemplo, se eu digo a você que na frente da minha casa tem um pé de goiaba maceta, você sabe o que eu quero dizer? “Maceta” em alguns locais da região norte do Brasil (aqui em Porto Velho, Rondônia, por exemplo) significa “muito grande”. Podemos dizer que alguém tem “um pé maceta”, “uma mão maceta”, “uma casa maceta” etc.
Enfim, agradeça a sua memória declarativa por você ser capaz de falar e entender português. Mas, quando alguém falar algo que você não entende, não se preocupe. Trata-se apenas de algo novo que sua memória terá de aprender.
memória procedimental é a responsável – adivinhe só! – pelo aprendizado da gramática. Mas, vamos com calma! Pois, não não se trata da gramática das regras e termos técnicos. Afinal, você não estudou gramática quando começou a soltar suas primeiras palavras, frases e sentenças em português.
Acontece que enquanto você crescia, você estava aprendendo a caminhar, correr, pegar as coisas, falar e – rufem os tambores! –a gramática natural da língua portuguesa. Sua memória procedimental estava registrando a ordem na qual os itens lexicais são colocados quando usados na prática. Tudo isso de foi aprendido naturalmente como um procedimento e colocado em prática até hoje de modo automático.
Saiba que neste exato momento, sua memória procedimental – a que cuida da gramática natural – está trabalhando para que você entenda este texto. Mas, palavras a das inverter eu ordem se, ela se perde e o ritmo da leitura diminui.
Sua memória declarativa até reconhece as palavras em “palavras a das inverter eu ordem se”. No entanto, suamemória procedimental nota que a ordem não está correta, deixando a frase incompreensível. Se colocarmos em ordem, tudo volta ao normal: se eu inverter a ordem das palavras.
É na memória procedimental que estão guardados – mesmo sem você saber – os procedimentos naturais de uso da nossa língua materna. Esses procedimentos são chamados de gramática naturalgramática de uso ou ainda gramática internalizada. Tudo isso se refere à gramática que temos dentro de nossa cabeça e que faz com que nós sejamos capazes de usarmos nossa língua em conversas, textos etc.
A Memória no Aprendizado de Inglês
Os mesmos pesquisadores (depois seguidos por outros) decidiram pesquisar como esses dois sistemas funcionam quando alguém fala (ou aprende) uma segunda língua – o inglês sendo o nosso caso. De cara, eles notaram que o modo como as informações são organizadas por uma falante não-nativo é bem diferente daquele dos falantes nativos.
A primeira grande diferença estava relacionada justamente ao modo como a gramática é aprendida (internalizada). No caso de um falante nativo, a gramática é adquirida naturalmente. Não há a necessidade de decorar regras. O uso natural da língua ocorre sem esforço. A pessoa de tanto conviver som a língua, acaba pegando o jeito da gramática natural.
Quando um falante nativo tem o hábito de falar algo “errado” (que não condiz com o uso padrão da língua), ele pode registrar a informação correta e educar o cérebro a aprender o certo. O curioso é que essa “correção” (mudança de hábito) não ocorre por meio da memorização de uma regra gramatical. Essa correção é feita no nível lexical (palavras, expressões, gírias etc.) e aí com o tempo a pessoa se acostuma a usar o certo.
Esses pesquisadores notaram que a “correção” (ou reaprendizado) ocorre primeiro na memória declarativae só depois se torna automática. No entanto, é algo que a pessoa memorizou como um fato da vida; portanto, não é algo que foi diretamente para a memória procedimental. A pessoa simplesmente suprimiu um hábito e adquiriu outro.
Com isso, esses pesquisadores perceberam que no caso do aprendizado de uma segunda língua, a memória declarativa desempenha um papel grandioso. Eles afirma que as pessoas deveriam focar muito mais no aprendizado de itens lexicais (expressões, frases, sentenças, palavras, collocations etc. – formulaic language) do que na decoreba de regras gramaticais presentes em livros.
As regras e termos gramaticais é apenas um conjunto de informações que fica registrado na memória, mas não gera o resultado que deveria: comunicação imediata. Já a gramática de uso deve ser adquirida de acordo com o envolvimento com a língua por meio do aprendizado de frases, sentenças, expressões, collocations etc., que são aprendidos dia após dia de acordo com situações específicas.
Em termos práticos, a ideia é que um aprendiz de inglês como segunda língua (ou língua estrangeira) deva aprender a gramática sem aprender gramática. Ou seja, aprender a gramática de uso (a gramática natural) e não a gramática normativa (a das regras e termos técnicos em livros). Por quê?
Pelo simples fato de sua memória procedimental não ser capaz de automatizar de modo imediato a gramática da nova língua. Assim, o ideal é que o aprendiz dedique-se primeiro a aprender muitos itens lexicais (chunks of language, formulaic language) e somente depois (nos níveis mais avançados do aprendizado) se dedique – caso queira – ao estudo da gramática normativa.
Conclusão
Este assunto gera muita discussão. Contudo, o que sabemos hoje sobre como a memória funciona no aprendizado de inglês (ou de línguas de modo geral), ajuda-nos e desenvolver novas técnicas, métodos e abordagens de ensino de línguas. Podemos deixar de lado a ideia de que aprender uma outra língua se resume a decorar 2000 palavras em inglês e um conjunto de regras presentes em um livro.
O papel da memória declarativa no aprendizado de outra língua é fundamental para ensinarmos adequadamente indivíduos que passaram da puberdade. Isso significa que a ideia de que após uma determinada idade não dá mais para aprender uma outra língua é totalmente questionável. Isso, no entanto, já é outro assunto. Então, vamos parar por aqui!
Referências
* Tomei aqui como referência os trabalhos dos pesquisadores e autores Dr. Michael Ullmann (neurocientista) e Dr. Steve Pinter (psicolinguista). Abaixo alguns artigos e livros que podem ajudar os mais curiosos a se aprofundarem nesses mistérios.
§ A cognitive neuroscience perspective on second language acquisition: The declarative/procedural model (Michael Ulmann)
§ A neurocognitive perspective on language: The declarative/procedural model (Michael Ulmann)
§ Contributions of memory circuits to language: The declarative/procedural model (Michael Ulmann)
§ Declarative and Procedural Determinants of Second Languages (Michael Paradis)
§ How Languages Are Learned – third edition (Patsy M Lightbown & Nina Spada)
§ Lexical Priming: a new theory of words and language (Michael Hoey)
§ The Study of Second Language Acquisition – second edition (Rod Ellis)
A dica A Memória no Aprendizado de Inglês foi publicado originalmente no site Inglês na Ponta da Língua e é de autoria do prof. Denilso de Lima

Postado por Adirene Morais, Moderadora do Grupo Professores Solidários, em 10/01/2016